10 setembro 2013

Crítica: Os Sentidos da Saúde



Analisando o texto os Sentidos da Saúde: uma abordagem despretensiosa, percebemos de início que o conceito de saúde atual é despretensioso, o mesmo não leva em consideração a cultura e subjetividade dos indivíduos, o que, na atualidade, deve começar a ser observado para bons resultados na área da saúde.

Não há um sentido único de saúde, na verdade para chegarmos até ele é necessário analisar a diversidade cultural dos indivíduos de determinada região, assim como as subjetividades dos mesmos, porém, alguns sentidos de saúde se devem à interação destes dois termos.

O conceito de saúde definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que a defini como "um estado de bem - estar", chega a ser vazio, pois muitas vezes esse bem - estar pode acontecer apenas por um período curto,  então, suponhamos uma pessoa que sofre de determinada doença, a mesma estará saudável  apenas quando for medicada? Apenas por um pequeno intervalo de tempo? Sabemos que isso não pode ser chamado de saúde.

Na pesquisa de doutorado na área de enfermagem realizada por Irene Krutz (1999), é possível percebermos como a cultura e subjetividade de determinada região influenciam em uma pesquisa. Através delas percebemos quais poderiam ser os fatores que causam problemas de saúde para determinados indivíduos. Na pesquisa feita por Irene Krutz, onde ela questionou pessoas mais velhas, a maioria respondeu que antigamente não haviam tantas doenças, que todas comiam o que queriam e não obtinham nenhum problema devido a isso, sendo que nos dias atuais, estes fatores poderiam gerar sérios problemas de saúde. Os problemas de saúde questionamos na pesquisa, podem ter sido gerados devido ao capitalismo, que visando obter mais lucros começou a usar anabolizantes no gado, pesticidas nas vegetações e vários conservantes na maioria dos alimentos.

As principais falas da pesquisa da enfermeira Irene Kreutz foram de senhoras, algumas delas com uma essência única, o que chamamos de subjetiva, mas todas levaram a um resulto único.

"As pessoas de hoje são mais fraco. Come comida sem substância e faz muita extravagância (..). As pessoas da minha época comiam comida mais forte e tinham mais saúde. Eu fui criada com feijoada. Comia carne de porco e a carde de gado sebosa mesmo. Hoje tudo faz mal, não pode comer nada, não pode comer gordura porque faz mal para o colesterol. Tudo bobagem! Tô aqui, fui criada com feijoada (..).

"A alimentação também já é um alimento fraco, as pessoa pode comer bem como for, mas o alimento já é fraco. Principalmente, naquele tempo (...) plantava (...) sem precisar de veneno, era aquela fruta sadia, sentia o sabor da fruta. E hoje não, é tudo a base de veneno.

Ficou claro na pesquisa da enfermeira Irene Krutz que atualmente as pessoas têm vários problemas de saúde devido a má alimentação, porém está má alimentação não é a mesma de outras regiões. E quais seriam elas? Para descobrir seria necessário outro estudo analisando a cultura e subjetividade da região a ser estudada.

A palavra saúde é mais complexa do que muitos imaginam, a mesma engloba escolhas feitas, ponderações realizadas, valorizações relativas, contexto cultural e estudo biológico. Não se pode dizer que alguém é saudável antes de analisar estes aspectos. 

A cultura e subjetividade sempre caminham juntas, pois, por mais que um individuo pertença à uma cultura ele pode ter opiniões diferentes, gostos diferentes e um organismo diferente. Porém, sempre haverá um fator que o ligará com a sua cultura, assim como acontece com os demais.

Um estudo aponta que algumas substâncias alucinógenas encontradas no Yajé podem causar alucinações parecidas nos índios Tukanos, mas isso ocorre devido a cultura da tribo, que de certa forma, prepara os índios para o ritual onde a bebida é consumida. Já em outras pessoas de culturas diferentes, os efeitos do Yajé podem ser muito desagradáveis. Algumas pessoas que experimentaram a substância se sentiram aterrorizadas. Na tribo dos Tukanos, por exemplo, os atos de incestos e exogamia são os predominantes em suas visões por estes serem os símbolos de sua cultura.

Analisar o contexto social de um paciente antes de diagnosticar um tratamento é essencial para bons resultados, porém os profissionais da área de saúde não podem levar em consideração apenas aquilo que o paciente fala. Os estudos biológicos são tão necessários quanto os culturais na hora de tratar algum individuo, mas é importante equilibrar ambos.

O modelo biomédico leva em consideração apenas o organismo do individuo. Os profissionais da área de saúde que analisam e tratam seus pacientes com esse modelo, costumam apenas remediar ou curar os sintomas com medicamentos e outros meios que ajam apenas no organismo.

Um médico, por exemplo, que em suas consultas usa o modelo biomédico, não costuma perguntar sobre os hábitos de seus pacientes, o mesmo apenas pergunta o que incomoda o individuo e após alguns minutos entrega uma receita com medicações e prescrições de horários. A consulta deste profissional deve demorar cerca de 15 minutos, mas na maioria das vezes o mesmo paciente retorna com os mesmos sintomas, gerando um ciclo, onde o paciente não entendi o que está acontecendo com o seu organismo e o porque de estar acontecendo.

Já um médico que analisa o contexto social de seu paciente, costuma perguntar sobre o dia a dia do individuo, o que ele acha que poderia ter gerado tal problema, se em sua família houve outros casos parecidos e se o mesmo já havia tido os mesmo sintomas antes da consulta. Após as perguntas, além de receitar alguns medicamentos para aliviar ou curar o problema do paciente, o médico explica os supostos motivos de tal doença ou sintoma ter ocorrido, preparando o paciente a se prevenir da mesma doença.

Levando em conta os estudos do texto Os sentidos da saúde: uma abordagem despretensiosa, e o exemplos do médico que usava apenas o modelo biomédico, percebemos que para ser um bom profissional da área de saúde é necessário avaliar vários fatores além dos biológicos, pois a atividade médica não é uma atividade cientifica, ou técnica. É uma atividade que se apoia em conhecimentos científicos especializados, que se vale de técnicas cada vez mais sofisticadas. 

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